Gestão municipal critica falta de retorno local diante dos bilhões faturados pela mineradora
O programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, recebeu nesta quarta-feira (3) o prefeito de Araxá, Robson Magela, e o procurador-geral do Município, Jonathan Renaud de Oliveira Ferreira. Durante a entrevista, Robson voltou a criticar a postura da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) em relação aos investimentos na cidade e reclamou da falta de retorno proporcional à riqueza extraída do município. A discussão começou após a repercussão das declarações feitas pelo prefeito durante o evento da Sg George realizado na última segunda-feira (1°) no Grande Hotel Termas de Araxá do Barreiro.
Segundo Robson, o desabafo representou “um sentimento da população” sobre a mineradora. Ele destacou que o nióbio pertence a Araxá e que, embora a CBMM tenha o direito de exploração, os lucros bilionários da companhia — cerca de R$ 13,3 bilhões de faturamento bruto em 2024, com R$ 5 bilhões de lucro líquido — não se refletem em investimentos locais na proporção esperada.
O prefeito afirmou que a administração municipal já apresentou projetos importantes, como o do novo hospital, mas que todas as demandas são encaminhadas pela unidade local à diretoria da empresa em São Paulo, sem respostas concretas. “Ah, nós vamos levar para São Paulo. Tudo o que a gente pede — quando é algo maior — eles dizem isso. Até mesmo a reforma do Fórum e da Polícia Civil: ‘Ah, nós vamos levar para São Paulo’. Então, sempre fica nessa mesma conversa”, disse.
Durante a entrevista, Robson também comparou a postura atual da companhia com gestões anteriores, citando nomes como doutor Camargo e Antônio Gilberto, que, segundo ele, mantinham forte integração com a comunidade e apoiavam projetos estruturais do município. “Hoje as coisas mudaram, a empresa mudou a forma de administrar seus recursos. Então, a Prefeitura também precisa mudar sua postura. Estou aberto para conversar a qualquer hora”, afirmou.
Outro ponto levantado pelo prefeito diz respeito ao aumento dos casos de câncer em Araxá, tema que ele considera urgente. Para o chefe do Executivo, diante do porte da empresa, seria natural que a CBMM financiasse a construção de um hospital e mantivesse o tratamento oncológico na cidade.
Robson também citou reclamações de empresários locais sobre dificuldades para participar de licitações da companhia e sobre a preferência atual por prestadores de serviço de fora da cidade.
“Eles não utilizam tanto a mão de obra local, não gastam tanto no comércio da cidade. O dinheiro, a riqueza que eles tiram daqui, deveria ser gasto aqui, entendeu? Seja no comércio, seja com as empresas, que deem esse retorno para a cidade, para que a nossa economia possa girar. É isso que eu quero que eles façam: que deem atenção à saúde da cidade”, concluiu o prefeito.