BEM BRASIL
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Postado em: 03/12/2025 - 11:59 Última atualização: 03/12/2025 - 12:21
Por: Caio César/Regina Porfírio - Portal Imbiara

Prefeito desabafa e diz que Araxá não recebe investimentos proporcionais da CBMM

Gestão municipal critica falta de retorno local diante dos bilhões faturados pela mineradora

Robson Magela foi entrevistado por Regina Porfírio, Natália Fernandes e Alex Xexeu no programa Imbiara Notícias. Foto: Caio César/Portal Imbiara

O programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, recebeu nesta quarta-feira (3) o prefeito de Araxá, Robson Magela, e o procurador-geral do Município, Jonathan Renaud de Oliveira Ferreira. Durante a entrevista, Robson voltou a criticar a postura da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) em relação aos investimentos na cidade e reclamou da falta de retorno proporcional à riqueza extraída do município. A discussão começou após a repercussão das declarações feitas pelo prefeito durante o evento da Sg George realizado na última segunda-feira (1°) no Grande Hotel Termas de Araxá do Barreiro.

Segundo Robson, o desabafo representou “um sentimento da população” sobre a mineradora. Ele destacou que o nióbio pertence a Araxá e que, embora a CBMM tenha o direito de exploração, os lucros bilionários da companhia — cerca de R$ 13,3 bilhões de faturamento bruto em 2024, com R$ 5 bilhões de lucro líquido — não se refletem em investimentos locais na proporção esperada.

O prefeito afirmou que a administração municipal já apresentou projetos importantes, como o do novo hospital, mas que todas as demandas são encaminhadas pela unidade local à diretoria da empresa em São Paulo, sem respostas concretas. “Ah, nós vamos levar para São Paulo. Tudo o que a gente pede — quando é algo maior — eles dizem isso. Até mesmo a reforma do Fórum e da Polícia Civil: ‘Ah, nós vamos levar para São Paulo’. Então, sempre fica nessa mesma conversa”, disse.

Durante a entrevista, Robson também comparou a postura atual da companhia com gestões anteriores, citando nomes como doutor Camargo e Antônio Gilberto, que, segundo ele, mantinham forte integração com a comunidade e apoiavam projetos estruturais do município. “Hoje as coisas mudaram, a empresa mudou a forma de administrar seus recursos. Então, a Prefeitura também precisa mudar sua postura. Estou aberto para conversar a qualquer hora”, afirmou.

 

Outro ponto levantado pelo prefeito diz respeito ao aumento dos casos de câncer em Araxá, tema que ele considera urgente. Para o chefe do Executivo, diante do porte da empresa, seria natural que a CBMM financiasse a construção de um hospital e mantivesse o tratamento oncológico na cidade.

Robson também citou reclamações de empresários locais sobre dificuldades para participar de licitações da companhia e sobre a preferência atual por prestadores de serviço de fora da cidade.

“Eles não utilizam tanto a mão de obra local, não gastam tanto no comércio da cidade. O dinheiro, a riqueza que eles tiram daqui, deveria ser gasto aqui, entendeu? Seja no comércio, seja com as empresas, que deem esse retorno para a cidade, para que a nossa economia possa girar. É isso que eu quero que eles façam: que deem atenção à saúde da cidade”, concluiu o prefeito.