Movimento ocorre em março e afasta especulações sobre composição de chapa
Romeu Zema deve deixar o governo de Minas Gerais no fim de março para entrar de vez na corrida presidencial de 2026. A decisão atende às regras da Justiça Eleitoral, que exigem o afastamento do cargo até seis meses antes da eleição para quem pretende disputar outro posto. A data mais provável para a saída é 22 de março, segundo informações divulgadas pela imprensa nacional.
A movimentação marca uma mudança clara de posição do governador mineiro no cenário político. Até pouco tempo, seu nome circulava como opção para compor alianças, especialmente como possível vice em uma chapa ligada ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, porém, essa possibilidade foi descartada publicamente, tanto por Zema quanto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também se coloca como pré-candidato ao Planalto.
Flávio afirmou que não houve convite nem conversa formal para uma composição com o governador de Minas. Segundo ele, Zema segue um caminho próprio e não atua como alternativa para uma vaga secundária. O senador também destacou que a definição de vice costuma ocorrer apenas em fases mais avançadas da campanha, o que reforça que, neste momento, as candidaturas ainda estão em construção.
A saída de Zema do Palácio Tiradentes deve abrir espaço para uma agenda mais intensa fora de Minas Gerais. A expectativa é que, fora do cargo, ele amplie viagens, participe de encontros políticos e busque se tornar mais conhecido nacionalmente, ampliando sua base de apoio para além do eleitorado mineiro.
O governador lançou oficialmente sua pré-candidatura em agosto de 2025, durante um evento do Partido Novo em São Paulo. Desde então, tem defendido um discurso centrado na responsabilidade fiscal, na redução do tamanho do Estado e em críticas ao modelo de gestão do governo federal. A estratégia é apresentar sua gestão em Minas como exemplo de administração com foco em eficiência e controle de gastos.
Com o afastamento de Zema, o vice-governador Mateus Simões (PSD) deve assumir o comando do Executivo mineiro, conforme determina a Constituição estadual, permanecendo no cargo até o fim do mandato.
As especulações em torno de alianças ganharam força após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) citar Zema como um nome com experiência administrativa e capacidade de entrega. Ainda assim, o próprio governador tem evitado alimentar esse tipo de debate e reforça que pretende levar sua candidatura até o fim, sem discutir, por ora, composições de chapa.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro intensifica movimentos para consolidar sua pré-candidatura, respaldado publicamente pelo pai. Em dezembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou uma carta confirmando o apoio ao nome do filho para a disputa presidencial de 2026.
O calendário eleitoral torna os próximos meses decisivos. Para governadores com pretensões nacionais, março representa um ponto de virada. No caso de Romeu Zema, o afastamento do governo de Minas tende a confirmar que sua intenção é disputar o Planalto como cabeça de chapa, e não apenas participar das negociações políticas que antecedem a eleição.