Governador afirma que modelo não seria obrigatório, mas uma alternativa para quem busca mais disciplina e valores no ensino público
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defendeu a proposta das escolas cívico-militares como uma opção para as famílias mineiras, durante entrevista concedida nesta sexta-feira (30), no estúdio da rádio Imbiara, em Araxá. A declaração ocorre após a Justiça suspender a paralisação do programa, que atingia não só Araxá, mas todo o estado.
Segundo Zema, a intenção do governo ao lançar o programa de forma mais ampla foi garantir liberdade de escolha aos pais e responsáveis. Ele destacou que a proposta não prevê a transformação de todas as escolas estaduais, mas apenas de uma parcela delas. Em Araxá, por exemplo, onde existem cerca de oito escolas estaduais, a ideia seria converter uma ou duas unidades para o modelo cívico-militar. “O que nós queremos é que a família tenha opção. Quem quiser colocar o filho em uma escola com esse perfil, poderá fazê-lo. Não é algo imposto”, afirmou o governador durante a entrevista.
Zema explicou que o foco das escolas cívico-militares está principalmente na organização administrativa e na disciplina, sem mudanças no conteúdo pedagógico. De acordo com ele, as disciplinas seguem as mesmas diretrizes da rede estadual, mas com maior rigor em relação a comportamento, pontualidade e respeito aos professores.
O governador citou exemplos como o controle de atrasos, punições para desrespeito aos educadores e regras mais rígidas de convivência dentro do ambiente escolar. Para ele, esse modelo contribui não apenas para o aprendizado tradicional, como português e matemática, mas também para a formação cidadã dos estudantes.
Durante a conversa, Zema também comentou a resistência de parte de sindicatos e associações ligadas à educação. Sem generalizar, afirmou que existe receio de que um novo modelo apresente resultados melhores do que o atual. Ele lembrou ainda que o Brasil enfrenta sérios desafios na área educacional e defendeu a necessidade de testar alternativas.“Nós não queremos mudar tudo. Queremos transformar cerca de 10% das escolas e comparar os resultados. É uma forma de buscar melhorias”, disse.
A suspensão judicial do programa interrompe temporariamente a implantação das escolas cívico-militares em Minas Gerais, mas o governo afirma que seguirá defendendo a proposta dentro dos limites legais, reforçando que a participação das famílias seria sempre voluntária.
A discussão segue em debate no estado e, em Araxá, o tema desperta atenção de pais, educadores e da comunidade em geral, que acompanham os desdobramentos sobre o futuro da educação pública no município.