Diagnóstico da Secretaria de Educação mostra desafios na alfabetização e revela que 21% dos estudantes do 6º ano da rede estadual também não são leitores fluentes
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais divulgou, na última quarta-feira (20), os resultados da Avaliação Diagnóstica da Fluência em Leitura 2026, realizada no âmbito do Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (Simave). O levantamento analisa o nível de leitura de estudantes da rede pública estadual e municipal e tem como objetivo orientar intervenções pedagógicas ao longo do ano letivo.
Nesta edição, a avaliação foi aplicada já no início do ano escolar, reforçando seu caráter diagnóstico. Também houve ampliação do público participante: na rede estadual, foram avaliados alunos do 2º ao 6º ano do Ensino Fundamental, enquanto nas redes municipais participantes a aplicação contemplou estudantes do 2º e 4º ano.
Os dados foram coletados por meio do aplicativo CAEd Avaliação, que registra a leitura dos estudantes e permite analisar habilidades como reconhecimento de palavras, leitura de termos desconhecidos, interpretação de textos narrativos e compreensão leitora. A adesão variou entre 93% e 96,7% do público-alvo.
No 2º ano do Ensino Fundamental da rede estadual, etapa inicial da alfabetização, 12% dos estudantes foram classificados como leitores fluentes, 47% como leitores iniciantes e 41% como pré-leitores.
Mapeamento da aprendizagem
A ampliação da avaliação para outros anos permite identificar com mais precisão os diferentes níveis de leitura na rede pública. No 6º ano do Ensino Fundamental da rede estadual, 21% dos estudantes ainda não são considerados leitores fluentes. Já nas redes municipais participantes, 54% dos alunos do 4º ano atingiram o nível de fluência esperado.
Segundo a avaliação, os resultados ajudam a direcionar o trabalho pedagógico das escolas, permitindo identificar estudantes que precisam de maior acompanhamento no processo de alfabetização e consolidação da leitura.
Durante a apresentação dos dados, a assessora de Inovação da SEE/MG, Gabriela Bonfim, destacou que o objetivo da ferramenta é apoiar decisões pedagógicas com base no desempenho individual dos estudantes. “Estes dados nos mostram exatamente onde precisamos colocar nossos esforços e recursos pedagógicos a partir de agora”, afirmou.
Contexto e impacto do uso de telas
O cenário educacional também dialoga com discussões mais amplas sobre hábitos de leitura e o uso de tecnologia por crianças e adolescentes. Pesquisas recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o uso frequente de dispositivos digitais pode impactar o desempenho em leitura e outras habilidades cognitivas, especialmente quando não há mediação pedagógica ou familiar adequada.
Além disso, levantamentos internacionais apontam que o tempo de tela entre crianças e adolescentes tem aumentado nos últimos anos, com uso diário de smartphones e tablets se tornando cada vez mais comum desde os primeiros anos escolares. Esses fatores têm sido citados por especialistas como elementos que podem influenciar a concentração e o desenvolvimento do hábito de leitura.
Acesso aos resultados
Os resultados da Avaliação de Fluência em Leitura podem ser consultados por profissionais da educação na plataforma Simave. Já os dados públicos estão disponíveis no Portal das Avaliações de Minas Gerais.
O objetivo da iniciativa é apoiar estudantes que ainda não consolidaram as habilidades de leitura esperadas para cada etapa escolar, fortalecendo o processo de alfabetização e aprendizagem na rede pública mineira.