BEM BRASIL
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Postado em: 16/10/2025 - 09:18 Última atualização: 16/10/2025
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Exame de sangue desenvolvido por cientistas brasileiros mostra potencial para diagnóstico precoce do Alzheimer

Estudos indicam que a proteína p-tau217 pode identificar a doença com mais de 90% de precisão e deve, futuramente, ser incorporada ao S

Foto: © Louis Reed/ Unsplash

Cientistas brasileiros confirmaram o potencial de um exame de sangue para o diagnóstico da doença de Alzheimer, que poderá se tornar uma alternativa simples, eficaz e acessível para a rede pública de saúde. O estudo, apoiado pelo Instituto Serrapilheira, apontou o bom desempenho da proteína p-tau217 como biomarcador capaz de diferenciar indivíduos saudáveis de pessoas com a doença.

Segundo o pesquisador Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atualmente o Brasil conta com apenas dois exames para detectar o Alzheimer: o exame de líquor, feito por meio de uma punção lombar, e o exame de imagem (tomografia) — ambos caros e de difícil acesso no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quando pensamos num país como o Brasil, com dimensões continentais e mais de 160 milhões de pessoas dependentes do SUS, não há como fazer esses exames em larga escala. O exame de sangue pode mudar essa realidade”, destacou Zimmer.

A pesquisa, assinada por 23 cientistas — oito deles brasileiros —, analisou mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas e confirmou que o p-tau217 no sangue é o marcador mais promissor para identificar o Alzheimer. Os resultados, obtidos em análises de 59 pacientes, apresentaram confiabilidade superior a 90%, padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além da equipe da UFRGS, pesquisadores do Instituto D’Or e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) chegaram a resultados semelhantes, reforçando o potencial da descoberta.

“São duas regiões diferentes do país, com genética e características socioculturais distintas, e o exame funcionou muito bem em ambas”, ressaltou o pesquisador.

Desafio global e impacto no Brasil

O diagnóstico precoce do Alzheimer é um dos maiores desafios de saúde pública mundial. De acordo com a OMS, cerca de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência, e 60% delas têm Alzheimer.
No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência (2024) estima 1,8 milhão de pessoas com a doença, número que pode triplicar até 2050.

Os pesquisadores também observaram que a baixa escolaridade aumenta o risco de declínio cognitivo, superando fatores como idade e sexo.

“O cérebro exposto à educação formal cria mais conexões. É como se exercitássemos o cérebro, tornando-o mais resistente ao declínio cognitivo”, explicou Zimmer.

Caminho até o SUS

Atualmente, exames de sangue para Alzheimer já são oferecidos na rede privada, como o PrecivityAD2, importado dos Estados Unidos, com custo que pode chegar a R$ 3,6 mil.
A meta dos pesquisadores é criar uma versão nacional e gratuita, acessível à população brasileira.

Para isso, será necessário avaliar a viabilidade técnica e logística da aplicação do teste no SUS. Os resultados definitivos devem estar prontos em cerca de dois anos, e os próximos estudos serão realizados com pessoas acima de 55 anos, para identificar a fase pré-clínica da doença, quando ainda não há sintomas.

“Nosso objetivo é mapear a prevalência de indivíduos nessa fase inicial e oferecer um diagnóstico mais rápido e acessível”, concluiu Zimmer.

Publicações científicas:
Os resultados do estudo foram divulgados na revista Molecular Psychiatry e reforçados por uma revisão internacional publicada em setembro no periódico The Lancet Neurology.

 Fonte: Agência Brasil / Instituto Serrapilheira / UFRGS