Conferência reúne delegações de 194 países em Belém para definir ações contra o aquecimento global
A 30ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) começou nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), e segue até o dia 21 de novembro. Pela primeira vez realizada na Amazônia, a conferência reúne representantes de 194 países e da União Europeia para debater formas de reduzir os impactos da crise climática e financiar a transição para uma economia de baixo carbono.
O evento deve reunir cerca de 50 mil participantes, entre líderes políticos, cientistas, organizações sociais e povos tradicionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esta será “a COP da verdade”, com foco na necessidade de financiamento para adaptação climática e transição energética, reduzindo o uso de combustíveis fósseis.
Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, o desafio é transformar promessas em ações concretas. “O fim do uso de combustíveis fósseis é fundamental. A transição não acontece da noite para o dia, por isso os países precisam definir um roteiro com prazos e financiamento”, afirmou.
Entre os temas centrais das discussões estão adaptação climática, transição justa e financiamento. A adaptação trata da preparação de cidades e comunidades para lidar com eventos climáticos extremos, enquanto a transição justa busca garantir que trabalhadores e populações afetadas pelas mudanças econômicas tenham apoio e oportunidades.
Um dos pontos mais sensíveis é o financiamento. Países desenvolvidos prometeram recursos para apoiar nações em desenvolvimento na implementação de políticas sustentáveis, mas parte dessas verbas ainda não foi efetivada. Para tentar destravar as negociações, foi apresentado o plano “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, que prevê levantar até US$ 1,3 trilhão por ano para ações climáticas.
O Brasil também anunciou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, com promessas de mais de US$ 5,5 bilhões para proteger florestas em cerca de 70 países, destinando pelo menos 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Além das negociações oficiais, a sociedade civil tem presença marcante na Zona Verde da conferência, com entrada gratuita e programação voltada a projetos ambientais, inovação e participação popular. Povos indígenas, agricultores e movimentos sociais organizam a Cúpula dos Povos, que também ocorre em Belém para reforçar a cobrança por compromissos reais.
“Clima não é conversa de ambientalista. Ele afeta o preço dos alimentos, da energia e o nosso dia a dia”, lembrou Astrini.