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Postado em: 06/05/2026 - 16:34 Última atualização: 06/05/2026
Por: Manoelita Chagas / Rogério Farah- Portal Imbiara

Inteligência artificial impulsiona golpes digitais no Brasil e exige atenção redobrada de usuários

Uso crescente da tecnologia por criminosos torna fraudes mais sofisticadas, personalizadas e difíceis de identificar

Entre as principais estratégias utilizadas por golpistas está a chamada clonagem de voz. Foto: Imagem gerada por IA

O avanço da inteligência artificial (IA), que tem revolucionado áreas como comunicação, negócios e serviços, também vem sendo explorado por criminosos digitais no Brasil. Nos últimos anos, especialistas em segurança cibernética têm observado um aumento significativo no uso dessas ferramentas para aplicar golpes mais elaborados, automatizados e convincentes. Estimativas do setor indicam que entre 30% e 40% das fraudes digitais no país já contam com algum nível de uso de IA, tendência que deve crescer com a popularização dessas tecnologias.

De acordo com análises de empresas de segurança digital, como a Kaspersky, o uso de inteligência artificial permite que criminosos ampliem o alcance dos ataques e aumentem a taxa de sucesso das fraudes. Isso acontece porque a tecnologia consegue imitar comportamentos humanos com precisão, tornando mais difícil para as vítimas identificarem situações suspeitas. Mais detalhes sobre ameaças digitais podem ser consultados no portal oficial da empresa:www.kaspersky.com.br.

Como a IA está sendo usada nos golpes

Entre as principais estratégias utilizadas por golpistas está a chamada clonagem de voz, que permite reproduzir a fala de uma pessoa a partir de pequenos trechos de áudio disponíveis na internet. Com isso, criminosos simulam ligações de familiares ou conhecidos pedindo dinheiro em situações de emergência.

Outra prática crescente é o uso de vídeos manipulados, conhecidos como deepfakes, que recriam rostos e falas de autoridades, executivos ou até parentes, aumentando a credibilidade das fraudes. Além disso, ferramentas de IA são capazes de analisar dados públicos e redes sociais para criar mensagens altamente personalizadas, tornando abordagens por e-mail, SMS ou aplicativos muito mais convincentes.

Os criminosos também têm recorrido a chatbots fraudulentos, que simulam atendimentos de bancos e empresas em tempo real, respondendo dúvidas e mantendo conversas com aparência legítima. Paralelamente, a criação de sites falsos se tornou mais sofisticada, com páginas que imitam com precisão o visual e a linguagem de instituições conhecidas.

Golpes conhecidos ficam mais perigosos

Com o reforço da inteligência artificial, golpes tradicionais ganharam uma nova dimensão. Entre os mais comuns no Brasil estão o falso parente no WhatsApp, agora com mensagens mais naturais e até áudios clonados, e o falso atendimento bancário, que utiliza linguagem técnica para enganar vítimas.

Também se destacam o phishing mais sofisticado, com e-mails sem erros e personalizados, o golpe do investimento falso, que pode incluir vídeos manipulados com supostos especialistas, e o falso sequestro, que utiliza vozes clonadas para simular situações de desespero.

Segundo a Febraban, o aumento da digitalização dos serviços financeiros contribui para que criminosos encontrem novas oportunidades de fraude, o que exige maior atenção dos usuários no ambiente online.

Por que esses golpes são mais difíceis de identificar

A principal diferença em relação às fraudes antigas está na qualidade das interações. Mensagens bem escritas, áudios realistas e respostas rápidas criam uma sensação de autenticidade que reduz a desconfiança das vítimas. Além disso, a automação permite que criminosos apliquem golpes em larga escala, atingindo um número maior de pessoas em menos tempo.

Esse cenário marca uma mudança importante no perfil dos crimes digitais, que deixam de depender apenas de erros humanos evidentes e passam a explorar tecnologias avançadas para enganar.

Como se proteger

Apesar da sofisticação, especialistas apontam que medidas simples ainda são eficazes para evitar prejuízos. Desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, mesmo quando parecem vir de conhecidos, é um dos principais cuidados. Sempre que possível, a recomendação é confirmar a informação por outro canal, como uma ligação direta para o número oficial.

Também é importante evitar clicar em links desconhecidos, ativar a autenticação em dois fatores em contas importantes e não compartilhar dados pessoais ou bancários em conversas online. Observar mudanças no comportamento de quem está se comunicando pode ser um sinal de alerta.

Um desafio em expansão

O uso da inteligência artificial em golpes digitais representa um desafio crescente para autoridades, empresas e usuários. Com a evolução constante da tecnologia, a conscientização da população se torna uma ferramenta essencial de proteção.

Especialistas alertam que a tendência é de aumento contínuo desse tipo de crime, reforçando a necessidade de educação digital e de práticas seguras no dia a dia. Em um cenário onde a tecnologia pode tanto facilitar a vida quanto ser usada de forma maliciosa, estar bem informado continua sendo a melhor defesa.