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Postado em: 30/03/2026 - 09:59 Última atualização: 30/03/2026 - 10:09
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Por que o 1º de abril virou o Dia da Mentira? Entenda a origem da data

Tradição surgiu na Europa no século 16 e se espalhou pelo mundo com brincadeiras e pegadinhas

Outra hipótese relaciona o 1º de abril ao equinócio de primavera no Hemisfério Norte. Foto: Licença Creative Commons

Você já deve ter ouvido, ou até dito, a famosa frase “caiu no 1º de abril”. A data, marcada por pegadinhas e histórias inventadas, é conhecida como Dia da Mentira e faz parte do calendário de diversos países — mas a origem dessa tradição é histórica e remonta a mudanças importantes na forma de contar o tempo.

O costume está ligado à adoção do Calendário Gregoriano, que estabeleceu o dia 1º de janeiro como início do ano. A mudança foi consolidada após o Concílio de Trento e gerou resistência em parte da população europeia, especialmente na França.

Antes disso, o Ano Novo era comemorado entre o fim de março e o dia 1º de abril. Quando o rei Carlos IX oficializou a nova data em 1564, muitos continuaram seguindo o calendário antigo. Essas pessoas passaram a ser alvo de brincadeiras e ficaram conhecidas como “bobos de abril”, o que ajudou a consolidar a tradição.

Influências mais antigas

Apesar dessa ser a versão mais conhecida, historiadores apontam que a origem do Dia da Mentira não é totalmente definida. Há registros de festividades antigas com características semelhantes, como a Hilária, na Roma Antiga, e o Holi, na Índia, marcadas por inversões e clima de descontração.

Outra hipótese relaciona a data ao equinócio de primavera no Hemisfério Norte, quando o clima costuma ser instável, alternando dias frios e mais quentes — o que seria uma espécie de “engano” da natureza.

Tradição no Brasil começou com boato

No Brasil, o costume ganhou força em 1828, com a circulação de um jornal mineiro chamado “A Mentira”. Na primeira edição, publicada em 1º de abril, o periódico anunciou a morte de Dom Pedro I, o que não era verdade. O imperador faleceu apenas anos depois, em 1834, em Portugal.

O episódio é considerado um dos primeiros registros da prática no país e ajudou a popularizar a ideia de fazer brincadeiras com notícias falsas nessa data.

Cultura da brincadeira se espalhou

Com o tempo, o 1º de abril se tornou conhecido mundialmente como um dia de pegadinhas. Em países como Estados Unidos e Inglaterra, a data é chamada de “April Fool’s Day”. Já na França e na Itália, existe a tradição do “peixe de abril”, em que crianças colam peixinhos de papel nas costas de outras pessoas.

Empresas e veículos de comunicação também já entraram na brincadeira. Um caso famoso foi o da BBC, em 1980, ao anunciar que o relógio Big Ben passaria a ser digital. Em 1992, uma rádio dos Estados Unidos simulou uma candidatura do ex-presidente Richard Nixon, confundindo ouvintes.

Entre o humor e o alerta

Apesar do caráter divertido, o Dia da Mentira também levanta discussões sobre os limites das brincadeiras, especialmente em tempos de disseminação rápida de informações pelas redes sociais. A tradição segue viva, mas reforça a importância de checar fatos e evitar a propagação de conteúdos enganosos.