por Rogério Farah
Amadurecer significa atingir o desenvolvimento pleno, não apenas envelhecer, mas também desenvolver autoconhecimento, aceitar as próprias limitações e compreender as alheias, além de ter empatia e bom senso. Enquanto a passagem do tempo é biológica, o amadurecimento exige escolhas internas, responsabilidade e coragem para aprender com as experiências. Não considerar que existe culpa em cada um dos erros cometidos, mas que todo equívoco, vacilo ou conflito traz em si a chance de evoluir, desde que entendamos o processo de aprendizagem.
Transferir para outras pessoas a responsabilidade pelos efeitos das próprias escolhas é um dos sinais mais evidentes da imaturidade emocional. É sempre mais confortável encontrar um culpado do que reconhecer que determinadas decisões partiram de nós mesmos, mas essa atitude apenas prolonga os problemas e impede o crescimento pessoal. Como ensinava o psicólogo Carl Gustav Jung, "Aquilo a que você resiste, persiste", lembrando-nos que fugir da responsabilidade não elimina a realidade, apenas adia o momento inevitável do enfrentamento.
Também merece reflexão a maneira como algumas pessoas escolhem iniciar conversas difíceis. Quando o apelo emocional vem antes da sinceridade, quando lágrimas, vitimização ou dramatizações são utilizadas para influenciar o rumo de um diálogo, a comunicação deixa de buscar entendimento e passa a buscar vantagem. O filósofo Arthur Schopenhauer advertia que "A verdade pode esperar, porque tem uma vida longa", lembrando que relações sólidas se constroem com honestidade, e não com mecanismos de manipulação emocional.
Outra demonstração de imaturidade aparece naqueles que se fecham dentro de si mesmos, como uma concha que impede qualquer aproximação. O silêncio permanente, o afastamento e a recusa ao diálogo raramente resolvem conflitos; ao contrário, alimentam interpretações equivocadas, ressentimentos e distanciamentos que poderiam ser evitados por uma conversa franca, respeitosa e madura. Como afirmava Sêneca, "Enquanto vivemos, continuemos a aprender a viver", e aprender a viver inclui aprender a conversar, ouvir e também admitir quando estamos errados.
Ter pena de si mesmo tampouco resolve os desafios do cotidiano. A autopiedade costuma consumir a energia que poderia ser empregada na busca de soluções, transformando dificuldades temporárias em prisões emocionais de longa duração. Da mesma forma, quando pais se comportam como filhos ou filhos assumem o papel de pais, rompe-se um equilíbrio essencial ao desenvolvimento familiar, pois cada geração possui responsabilidades próprias que não deveriam ser invertidas, sob pena de comprometer a formação emocional de todos os envolvidos.
No fim das contas, amadurecer não significa tornar-se perfeito, mas tornar-se responsável por aquilo que se pensa, se diz e se faz. É compreender que ninguém evolui apontando dedos, manipulando sentimentos, escondendo-se do diálogo ou alimentando a própria condição de vítima, mas sim encarando a vida com humildade, coragem e disposição para mudar. Meus sinceros parabéns àqueles que, longe de se considerarem vitoriosos, reconhecem-se como valentes aprendizes da existência, pessoas que continuam abertas ao autoconhecimento, ao diálogo e ao permanente amadurecimento pessoal.