Grupo formado por sete empresários pretende recuperar o imóvel e estuda alternativas para sua utilização futura
O Hotel Colombo, um dos imóveis mais tradicionais e conhecidos de Araxá, começa a escrever um novo capítulo na história. O empreendimento foi arrematado em leilão por um grupo de sete empresários da cidade, que agora trabalha na elaboração de projetos para recuperar e dar uma nova destinação ao espaço.
Em entrevista ao programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, o empresário João Bosco Sena de Oliveira, integrante do grupo de investidores, explicou que a iniciativa surgiu durante conversas entre amigos empresários e ex-presidentes de entidades representativas do município. A ideia, segundo ele, era buscar uma forma de manter o imóvel sob controle de investidores locais e criar condições para sua recuperação.
“Foi ventilada a possibilidade de o imóvel permanecer nas mãos de araxaenses. Entendemos que, trabalhando em grupo, teríamos mais chances de sucesso e também poderíamos dividir responsabilidades e investimentos”, afirmou.
Inicialmente, a proposta previa a participação de dez pessoas. Durante as negociações, alguns interessados desistiram e outros optaram por transferir suas cotas para familiares, resultando na formação final do grupo composto por sete empresários.
Entre os investidores estão Márcio Farid, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Araxá (Acia), apontado por João Bosco como o principal incentivador da iniciativa, Rodrigo Natal Rocha, empresário e presidente do Sindicato do Comércio de Araxá (Sindicomércio), Lucas Bittencourt representando o empresário Donaldo Bittencourt, Adineor Carneiro de Paula, dos Irmãos Paula, Gilson Câmara, Aider, da Pneuara, além do próprio João Bosco Sena de Oliveira.
Recuperação do imóvel
A primeira etapa dos trabalhos será voltada para a limpeza e avaliação completa das condições do hotel. Segundo João Bosco, apesar dos anos em que permaneceu fechado, a estrutura principal do prédio continua preservada.
Ele destaca, no entanto, que o imóvel sofreu diversos danos ao longo do tempo, principalmente em razão da falta de manutenção. Houve crescimento da vegetação, além de furtos de materiais e equipamentos das instalações elétricas e hidráulicas, o que contribuiu para a deterioração de parte da estrutura.
“O prédio está estruturalmente bem conservado, mas os danos causados pelo abandono precisam ser recuperados. Estamos iniciando um trabalho de limpeza para avaliar detalhadamente as intervenções necessárias”, explicou.

Empresário João Bosco Sena de Oliveira afirmou que a prioridade inicial será a limpeza e recuperação da estrutura do Hotel Colombo. Foto: Caio César
Possibilidades de uso
Embora ainda não exista uma definição sobre o futuro do empreendimento, o grupo já avalia diferentes alternativas para utilização do espaço. Entre as possibilidades está a retomada das atividades hoteleiras, mas outras opções também estão sendo estudadas.
De acordo com João Bosco, o imóvel possui potencial para receber projetos de uso múltiplo, combinando diferentes atividades econômicas e de serviços.
Além do prédio principal, a aquisição inclui outras áreas que poderão receber projetos independentes, como a área da antiga capela, um terreno localizado nos fundos do hotel e um lote lateral.
“Estamos estudando todas as possibilidades. O hotel pode continuar exercendo sua função original, mas também existem outras alternativas que podem contribuir para a valorização daquele espaço”, ressaltou.
Patrimônio histórico preservado
Uma das garantias dadas pelos investidores é a preservação da fachada do Hotel Colombo. O imóvel possui proteção do patrimônio histórico municipal e estadual, o que exige a manutenção de suas características arquitetônicas.
Segundo João Bosco, o grupo não tem interesse em promover alterações na fachada e considera que a identidade visual do prédio é parte fundamental da história de Araxá.
“A fachada é muito bonita e faz parte da memória da cidade. Nossa intenção é preservá-la integralmente”, afirmou.
Investimento estimado
O grupo calcula que serão necessários pelo menos R$ 3 milhões para recuperar o prédio principal e colocá-lo novamente em condições de uso. O valor refere-se apenas às obras de recuperação e não inclui o montante investido na compra do imóvel durante o leilão.
Os investimentos deverão ocorrer de forma gradual, à medida que os estudos técnicos e os projetos forem sendo concluídos.
A expectativa dos empresários é que, após a recuperação inicial e a definição dos projetos, o empreendimento possa atrair novos parceiros e investidores interessados em participar da revitalização de um dos patrimônios mais emblemáticos de Araxá.