Veterinária Letícia Cardoso explica que alterações no ambiente, conflitos entre animais e manejo inadequado podem contribuir para as crises
O estresse pode afetar diretamente a saúde urinária dos gatos e contribuir para o desenvolvimento da cistite intersticial felina, uma condição inflamatória da bexiga. O assunto foi abordado pela médica-veterinária Letícia Cardoso durante participação no programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM.
Segundo a profissional, a doença está relacionada à interação entre o sistema nervoso e a bexiga, que pode funcionar como um dos órgãos afetados pelas respostas do organismo a situações estressantes.
Além dos fatores emocionais, o ambiente em que o gato vive, a convivência com outros animais, a alimentação e a ingestão de água também precisam ser considerados.
A especialista explica que mudanças na rotina, conflitos entre gatos e falta de recursos dentro de casa podem comprometer o bem-estar dos animais. Em residências com vários felinos, por exemplo, é importante avaliar se todos conseguem acessar tranquilamente a comida, a água, os locais de descanso e as caixas de areia.
Quais são os sintomas?
Entre os sinais que podem indicar problemas urinários estão:
Urinar fora da caixa de areia;
Fazer xixi várias vezes, mas em pequenas quantidades;
Demonstrar desconforto ou vocalizar ao urinar;
Apresentar sangue na urina;
Lamber excessivamente a região genital;
Fazer esforço para urinar.
De acordo com Letícia Cardoso, alguns tutores interpretam a urina fora do lugar como um problema de comportamento. Entretanto, essa mudança pode indicar dor ou desconforto e precisa ser investigada.
A ausência de sangue na urina não descarta a possibilidade de doença. Por isso, alterações nos hábitos urinários devem ser avaliadas por um médico-veterinário.
Obstrução urinária é uma emergência
Um dos principais riscos é a obstrução uretral, quando o animal não consegue eliminar a urina. O problema é especialmente preocupante nos gatos machos, cuja uretra é mais estreita, aumentando o risco de bloqueio.
A obstrução pode exigir atendimento imediato, procedimentos para restabelecer o fluxo urinário e internação. Sem tratamento, o quadro pode provocar complicações graves e levar à morte.
Se o gato tenta urinar repetidamente e não consegue, ou elimina apenas gotas enquanto faz força, o tutor deve procurar atendimento veterinário de emergência. Não se deve esperar que o problema desapareça espontaneamente.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação considera o histórico do animal, o ambiente em que vive e os sintomas apresentados. Conforme o caso, o veterinário pode solicitar exames de urina e sangue, radiografias e ultrassonografia para avaliar a bexiga, identificar cálculos e investigar outras possíveis causas.
A cistite intersticial felina não deve ser confundida com todas as formas de cistite. Infecções bacterianas, cálculos e outras doenças também podem provocar alterações urinárias, tornando necessária uma avaliação individualizada.
O acompanhamento profissional permite identificar a causa do problema e estabelecer o tratamento mais adequado para cada paciente.