Dia 02 de julho é comemorado o dia do hospital no Brasil; em Araxá a instituição atua há 140 anos
Neste 2 de julho, Dia do Hospital, a cidade de Araxá reconhece a importância de uma de suas instituições mais tradicionais: a Santa Casa de Misericórdia. Com mais de um século de história, o hospital é símbolo de luta, solidariedade e compromisso com o bem-estar da população.
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Uma origem marcada pela fé e pela união
A origem da Santa Casa de Araxá remonta a 1885, quando a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia adquiriu um prédio conhecido como “Hospício”, que teria pertencido à Irmandade dos Padres da Terra Santa. O imóvel foi comprado por Caetano Gonçalves Boaventura e transferido para a Irmandade dois anos depois. Era o começo de uma longa jornada de acolhimento aos doentes da cidade e região.
A partir de 1907, começaram a ser registrados relatórios e atas do movimento do hospital, que mostram o empenho dos moradores de todos os distritos de Araxá da época para erguer e manter a instituição. Em 1911, foi formada a primeira provedoria, com Franklin Benjamin de Castro, Sebastião d’Affonseca e Silva e o Cel. Belarmino de Paula Machado, que permaneceram à frente até 1919.

Um dos registros mais antigos do local onde mais tarde seria a Santa Casa, chamado de "Hospício". Data de aproximadamente 1922. Foto: Página Memórias de Araxá
Construção do novo hospital e mobilização popular
Com o passar dos anos, cresceu a necessidade de um prédio próprio que atendesse melhor às demandas médicas. Entre 1913 e 1916, comissões distritais foram criadas para arrecadar fundos para a obra. A pedra fundamental foi lançada em 15 de agosto de 1916, e em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, foi inaugurado o novo prédio da Santa Casa.
A cerimônia contou com missa campal, procissão, homenagens e doações simbólicas como mesas e materiais cirúrgicos. O projeto do edifício foi encomendado pelo Dr. Almeida Machado e executado com apoio popular, ao custo de 120 contos de réis.

Foto próxima dos anos 1940. Foto: Fundação Cultural Calmon Barreto
Participação das religiosas e pioneirismo

A Santa Casa também é marcada pela contribuição de ordens religiosas. As Irmãs Dominicanas assumiram a administração em 1926, com autorização do bispo de Uberaba. Em 1964, as Irmãs de Jesus na Santíssima Eucaristia, vindas do Espírito Santo, assumiram a direção interna da instituição.
Essa presença religiosa contribuiu para a organização, humanização e disciplina na gestão hospitalar. Ainda nas décadas seguintes, houve intenso envolvimento da comunidade, inclusive com a participação ativa de mulheres na irmandade, como Maria de Castro Magalhães, Nathália Augusta e Adélia Montandon — pioneiras na representatividade feminina na história do hospital.
Crises e superações
A história da Santa Casa não está livre de desafios. Diversas crises financeiras, como a registrada em 1915 e mais tarde em 1959, colocaram em risco o funcionamento do hospital. Nessas ocasiões, a comunidade de Araxá se mobilizou em campanhas por meio de rádios, jornais e doações, conseguindo manter a instituição de portas abertas.
Em 1933, a administração chegou a ser transferida temporariamente para a Prefeitura, sob gestão do então prefeito Dr. Fausto Alvim, como forma de garantir a continuidade dos serviços.
Ao longo do tempo, a Santa Casa passou por reformas estruturais, ampliações de alas cirúrgicas, construção de novos setores como maternidade e hospital infantil, além de tentativas frustradas de construir um novo edifício hospitalar.
Reforma dos estatutos e institucionalização moderna


Conhecido Dr. Pedro Pezzuti em uma cirurgia fotografado na Santa Casa de Misericórdia. Foto: Arquivos Fundação Cultural
Em 1960, foi aprovado um novo estatuto que formalizou a Associação de Assistência Social da Santa Casa de Misericórdia, com organização em três órgãos: Assembleia Geral, Conselho Deliberativo e Mesa Administrativa.
Entre os médicos e gestores que marcaram essa fase estão o Dr. Pedro Pezzuti, Dr. Mário Cecílio Salomão e Dr. Antônio de Paiva Borges, este último responsável por integrar o Hospital Infantil Dr. Ovídio de Abreu e a Maternidade Santa Rita ao patrimônio da Santa Casa.

Santa Casa de Araxá em meados dos anos 70. Foto: Página Memórias de Araxá
Reconhecimento e homenagem
A Santa Casa de Araxá é reconhecida como uma das instituições mais importantes da cidade. Em 1940, foi visitada pelo então presidente Getúlio Vargas e pelo governador de Minas, Benedito Valadares. Suas assinaturas constam até hoje nos livros de ata da irmandade.
A dedicação de seus provedores, médicos, religiosas e cidadãos solidários garantiram a sobrevivência e a continuidade de um serviço essencial à saúde pública da cidade.
Um patrimônio de Araxá
A Santa Casa de Misericórdia de Araxá representa muito mais que um hospital. É um patrimônio histórico, social e espiritual da cidade. Sua história é construída com o esforço de várias gerações de araxaenses que, com fé e compromisso, enfrentaram adversidades em nome do bem comum.
Todas as informações foram retiradas da revista "Trem da História da Fundação Cultural Calmon Barreto" - Edição 12.