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Postado em: 21/08/2026 - 15:53 Última atualização: 21/08/2026
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Gradativamente, COPASA, gradativamente...

por Rogério Farah

Causou indignação ler a nota oficial da COPASA, em resposta à falta de água nos últimos dias por toda cidade, especialmente o trecho que prometia GRADATIVAMENTE o retorno à normalidade do abastecimento, atendendo às reclamações dos consumidores. A palavra destacada ganha maior inconformismo, em contraposição à dura realidade de milhares de moradores diante de torneiras secas, parecendo carregar uma tranquilidade que não combina com quem precisa de água para beber, cozinhar, tomar banho e cuidar da própria família. Afinal, para quem está sem o serviço essencial, cada hora de espera dificilmente pode ser tratada como algo que “gradativamente” se resolve, como se fosse uma situação simples ou apenas um fato banal.

Fica, então, uma pergunta inevitável: será que a mesma compreensão seria observada pela COPASA, aguardando que os consumidores, se enfrentassem insuficiência de recursos financeiros, também pudessem quitar GRADATIVAMENTE as faturas, conforme o eventual recebimento de verbas salariais? Ou, nessa hipótese, os prazos, juros, multas e demais consequências chegariam com a conhecida pontualidade? A relação entre concessionária e consumidor precisa ser equilibrada, especialmente quando o produto fornecido não é supérfluo, mas indispensável à sobrevivência e à dignidade humana.

Infelizmente as prioridades de alguns gestores públicos vem paulatinamente se invertendo, deixando para depois as necessidades básicas da população, como fornecimento de água e saneamento básico, por exemplo. Enquanto projetos grandiosos, obras visíveis e investimentos capazes de produzir dividendos políticos recebem holofotes, aquilo que permanece escondido debaixo da terra — como tubulações, reservatórios, sistemas de captação e distribuição — talvez não desperte o mesmo entusiasmo. Mas é justamente esse trabalho silencioso que faz a diferença entre abrir uma torneira e encontrar água ou descobrir, mais uma vez, que será preciso esperar.

Daí outra reflexão que merece ser feita: será que obras que dependem da captação de água, melhoria na rede de distribuição (normalmente formada por canos embaixo do solo) e investimento da produção própria de energia elétrica, que inclusive na modalidade fotovoltaica (solar) não poderiam significar autossuficiência para os municípios e, até porque não suscitar a questão, proporcionar reconhecimento dos administradores públicos nas eleições? Talvez seja hora de compreender que investimento em infraestrutura também rende resultados políticos, porque o cidadão sabe perfeitamente quem estava à frente quando os problemas foram enfrentados, como é o caso, por exemplo, do Ex-Prefeito de Araxá, José Rodrigues Duarte, responsável na década de 70 pelas obras que resultaram no aumento da captação de água em nosso município — ou quando foram simplesmente empurrados para o futuro, transferindo o problema para as próximas administrações. Em outras palavras, água chegando regularmente às casas pode não produzir uma fotografia tão vistosa quanto uma grande inauguração, mas produz algo muito mais importante: qualidade de vida.

E diante das sucessivas reclamações, das explicações oficiais e da repetição de situações que deveriam ser excepcionais, resta perguntar: nossos representantes políticos não podem realmente fazer mais nada, a não ser um ou outro pronunciamento em favor da população, mormente a parcela mais carente? Fiscalizar, cobrar informações, exigir planejamento, acompanhar investimentos e buscar soluções concretas também fazem parte da representação política. A população não precisa apenas de manifestações de solidariedade; precisa de providências, pressão institucional e respostas capazes de evitar que a próxima crise seja recebida como se fosse inevitável.

Esta coluna não pretende transformar a indignação em espetáculo, mas exercer um direito elementar de cidadania: questionar um serviço essencial quando ele falha e exigir das autoridades competentes a busca por soluções. Pois então, que a COPASA explique com clareza as causas, apresente medidas efetivas e demonstre o que será feito para reduzir a repetição desses episódios, enquanto os agentes públicos assumem a responsabilidade de cobrar resultados. E, se o abastecimento realmente precisa voltar gradativamente, que pelo menos as providências para impedir novas interrupções não caminhem na mesma velocidade

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